sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

... Foi um sonho bom

Era cedo e meus olhos ainda não queriam abrir. Sentia frio, apesar de estar enroscado em um cobertor grosso e supostamente quente. Me espreguicei, tirei o cobertor de cima de mim e pus os pés para fora da cama. Meus olhos abriram quando o frio do chão tocou meus pés, e o sono fugiu, ao iniciar-se um novo dia. Levantei, fui lavar meu rosto e dei de cara com outra pessoa no espelho.
Era eu, mas o rosto... o rosto não era. Tirei o pijama e estava indo tomar o banho matinal quando reparei que estava em um corpo feminino, apesar de Eu ser naturalmente apenas um garoto de 15 anos. Bom, logo achei que ainda estivesse em meu sonho prolongado e não liguei muito. Me incomodava estar no corpo da minha professora de sociologia do colégio, uma mulher de uns trinta e poucos anos - bonita e tudo, mas minha professora.
Conto que fiquei bem envergonhado. A primeira coisa que passou na minha mente de garoto-virgem era que ela estaria em meu corpo também (me vendo também, me tocando também!). Enfim desencanei. Tomei banho com aquele corpo envolvente da professora, Afrodite. Gastei um tempo escolhendo um conjunto de sutiã e calcinha para usar com a saia justa que eu tinha escolhido para meu novo corpo. Me vestir parecia ser meu maior problema, até a campainha da porta tocar.
Era eu na porta! Não Eu, eu. Mas eu – o aluno de 15 anos (ou pelo menos o corpo dele). Eu me olhei assustado, e iniciei uma conversa comigo mesmo. Não sabia se dentro de mim estava Afrodite, ou outro aluno, ou algo desconhecido. Olá! Oi, tudo bem professora? Tudo sim querido, e você? Tudo certinho... Escuta professora, eu sei que é sábado e tudo, mas eu tava precisando tirar umas dúvidas muito sérias contigo. Entra Gregório; quer água, suco? Não, estou bem... Quero outra coisa na verdade...
Sim, eu Afrodite – professora de sociologia, 34 anos. Eu tive coragem. Ao acordar para meu banho matinal e deparar com algo não tão comum, reparei na clássica troca hollywoodiana, e decidi aproveitar. É claro que não era nenhum homem, mas já bastava. Sempre tive a curiosidade de saber como era o meu corpo – olhar no espelho não é meu ponto. Coloquei uma roupa no corpinho de 15 anos e fui me visitar. Fui me amar.
Gregório não sabia se fora um sonho dentro de um sonho ou se fora realidade, pois a única pessoa possível para confirmar era Afrodite – e ela tinha a mesma dúvida, e a mesma falta de coragem para perguntar...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Depois que me hipnotizar, jogar-me-á no lixo?

Imagino sua face.
Meu peito, como nunca antes, arde.
E quero que me mate
Se não falo com sinceridade.

No meu sonho seus olhos brilham
Brilham tanto que me hipnotizam.
Hipnotizam tanto que fazem querer
Vender a alma por você.

Versos e metáforas para conquistar
Uma mulher que não cansa de amar.

Ama ele
Ama ela
Ama eles
Ama elas.

Só não me ama não sei por que.

domingo, 22 de novembro de 2009

Igual?

Era bonita e estava sozinha.
Comia em uma mesa do restaurante, sem companhia de amigo ou família.
Os movimentos de seu delicado braço trazendo a comida do prato à boca eram tão suaves e isolados.
Pude sentir sua solidão no seu respirar.
Um gole ou outro ofuscando a verdade absoluta que estava sentada ao seu lado.

Quando eu tinha certeza de que ela era um espelho da minha imagem, veio um homem e beijou-lhe os lábios.
Nem todos acabarão como eu.

Enfim um pensamento confortante.

Sem Piedade.

Matei
Veio vagarosamente em minha direção. Vi que tinha uma das perninhas machucada, mas mesmo assim não me importei.
Por um breve momento confesso que senti peninha dele, não foi duradoura no entanto.
Pensei no mal que aquele ser poderia causar. Pensei em como a sua existência incomodava a mim.
Olhei para seu curto corpo com nojo e suavemente estendi meu braço para pegar um objeto qualquer. Um objeto assassinante. A primeira coisa que vi, um celular. Essa foi a arma.
Matei.
Coitado, era só um mosquito.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Desalmado.

Todo dia a imagem nítida ali refletida
Se torna opaca, e vazia...
E quem dera já fosse preenchida...
Quem dera já tivesse sentimentos...
Quem dera tivesse alma... E no próximo passo
Um dia terá sua hora...

O fim as vezes não é o começo, o fim as vezes não é o fim...
Fim as vezes nem é o que parece ser.
O começo da nova era... o fim do mundo? Não...
A volta dos verdadeiros mortos.
Aqueles que proferiram palavras inúteis por não saberem nada sobre vida
Daqueles que um dia ousaram se chamar seres humanos...

Me perdoe... mestre, pai, mãe, a todos os que julguei em vão.
O término do meu tempo, é um novo inicio, pra todos vocês.

Quem sabe entenderá o anjo...
Que esse é o meu caminho?


Texto de um amigo meu, Mago Sem Nome.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Divino seria se fosse real.

Sonhos que sonho são desejos impedidos por algum motivo. Sonhei com um poeta em minha rede próxima ao mar. Cada verso que declamava, uma lágrima lírica em meus olhos. Talvez fosse sonho posto que era belo e tão belo só podendo ser fantástico ( e digo fantástico querendo dizer irreal). Pois sim, irreal era o que era, já que jamais teria eu um poeta em meus braços. Isso seria muito Divino para uma mulher como eu – romântica, filósofa, poeta. Achar um igual seria muito Divino.

Então eu sonhei com uma rede.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O soneto das Poderosas

As nuvens são éguas aladas
Que voam pelos céus como Deusas
Empinam-se e empoem-se,
Decidindo o que deve ou não ser visto.

Um dia elas deixaram
Um belo crepúsculo banhá-los,
Homens tão inocentes (?) que eram,
Não merecedores de tamanho privilégio...

Elas tinham tamanha Grandeza
Que não se assustavam nem com aviões
Máquinas impiedosas feitas por eles, os inocentes

Máquinas tais que extinguiam as divinas formas;
Sem piedade, pudor, vergonha ou arrependimento.
Mas as Deusas são as Deusas e logo estarão aladas novamente.

sábado, 24 de outubro de 2009

Vício

Olhei meu sorriso verdadeiro no espelho. Era alegre. Vi meus dentes amarelos. Entristeci. O cigarro já mostrava os danos em meu corpo. Podia sentir aquilo me consumindo. Tinha medo de ver os exames. Meus pulmões já não eram mais os mesmos. Sentia isso em coisas pequenas como subir uma escada, com uma breve corrida para alcançar o ônibus. Até no sexo eu já não era mais a mesma, não tinha mais a disposição de antes. E mesmo com isso tudo, minha mente não era capaz de dizer não. O vício me tomava e eu cumpria meu papel sendo vassala de uma vontade que não tinha mais razão para ser. Me via morrer. Aos poucos fui realizando que isso tinha que mudar, tinha consciência disso. Só não sabia como fazê-lo. Era tão difícil... Eu tentava, e tentava, e tentava. Sempre fracassando.

Escutava minha mãe reclamando do meu bafo, e não sentia vergonha de mim. O problema é que eu aceitei viver com essa vergonha. Aceitei viver com o rótulo de fumante. Aceitei, até que não deu mais.

Morri dormindo, sozinha, com 45 anos. Comecei a fumar aos 15. Morri com um maço de cigarro mentolado (que era praxe meu) ao meu lado, como meu único companheiro. Meu amigo. Meu psicólogo. Meu fumo substituiu meus amores e minhas dificuldades. Até minha fé estava concentrada naquele pacotinho com 4.700 substancias tóxicas.

Comecei a fumar porque era mente - fraca. Deixava os outros me guiarem. Deixei eles me guiarem à morte. Deixei... e por mais que estivesse calada fisicamente, eu possuía gritos internos, ensurdecedores.

Ah se eu pudesse reviver tudo aquilo... tudo aquilo...

Meu desejo? Só mais um trago...

...Não, nada mudou.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Mais um texto sem título de um poeta qualquer.

Eu não tenho mais mente para decifrar os enigmas escondidos nos [poemas complexos dos grandes autores.
Não tenho nem capacidade para entender minhas próprias escritas.
Mas continuo escrevendo... tem algo que me motiva, não sei o que.
Amor, morte, dúvidas...
Me faz bem escrever.
Me faz mal entender, pois depois que entendo...
Sei que tudo que achava que sabia era uma grande mentira...
Grandes mentiras são os poetas
Eu sou poeta
Sou uma grande mentira.
O engraçado é que,
Mesmo assim você tenta me desvendar.
Professorinha de literatura, vem desvendar seu amante nas [entrelinhas de algo que nem ele sabe o que são.
Desvenda-me
Depois me explica.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O tic-tac

Quando eu era pequenininha assim, bem pequena, eu queria que o tic-tac tictaqueasse com velocidade imensurável. Queria ser menina-grande para então poder ir sozinha, na pracinha. Queria a liberdade de comprar o meu sorvete, com o meu dinheiro, da minha mesada. Então o tic-tac tictaqueou. Virei menina-grande. Os primeiros momentos como menina-grande foram até bem legais. Brinquei a beça! Entrei pro colégio, fiz novos amiguinhos, conheci professoras maravilhosas! Elas me ensinaram até a ler! Foi com elas que aprendi o inicio de tudo... desde as letras de mãos dadas até a existência de amigos que não são tão amigos assim. O colégio me ensinou bastante, mas logo cansei. Queria mais, sabe? Não queria ficar sempre com as mesmas professoras, eu queria coisa nova.

Tinha uma coisa que eu não queria mudar. O nome dele era João. Eu desejava de novo que o tic-tac tictaqueasse para que eu tivesse a coragem de falar pra ele o quanto eu o achava especial. Queria virar menina-mulher... Queria falar com ele, queria abraçá-lo, beijá-lo, tê-lo. Queria matar aula do ginásio pra ficar com ele. Fui agindo como se fosse menina-mulher, mas eu ainda era menina-grande. Acho que virei menina-mulher mesmo, só quando eu decidi sair de casa e fazer o tic-tac tictaquear forçadamente.

Fui morar sozinha e comecei a trabalhar. Comecei a pagar minhas contas, e não ia mais à pracinha. O João? Agora havia vários deles na minha vida, mas nenhum era de verdade. Eu tinha me transformado então em menina-mulher que esquecera a menina de dentro e a mulher de fora.

Hoje sou uma velha que quer desesperadamente que o tempo distictaqueie. Aprendi a viver ontem, mas não há mais tictaques para gastar: pare logo de ler esse texto inútil e vá à pracinha, criança! Já tomou seu sorvete hoje? Pois então... um de nós tem que viver sem se preocupar com o tic-tac impiedoso e extremamente preciso, não?

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Sonho

Ali estamos. Unidos por um desejo avassalador de um tomar o corpo do outro. Suspiros de medo fazem parte de ambos. Isso, no entanto, não nos impede de agir. Inicialmente há um pouco de receio no ar, é claro.

Suas mãos caminham da minha nuca à minha coxa, não deixando perder nenhum ponto sequer da minha pobre branca pele. Penso comigo mesma: nossa, mas que homem... ganhou confiança tão rápido... e suas mãos, como me fazem desejar mais!

Aquelas mãos iam me apertando e iam fazendo loucuras com meu corpo inocente. (Inocente?). Quando reparei estávamos já deitados numa cama, que agora não me recordo de onde surgiu. Então com seus dentes minha blusa foi arrancada. Com sua mente, minha saia. E do mesmo modo sua calça se foi. Nus.

Enfim nus. E as mãos, e as bocas, e as línguas iam trocando segredos que não possuíam palavra alguma. Você em cima, eu em cima, você por baixo, eu por baixo. Trocando até cansar. Isso demorou um tempo, os corpos pareciam não reclamar do súbito exercício a que eram submetidos.

Era como um sonho ter você ali do meu lado. Você me tinha e eu lhe tinha também. Era uma simultaneidade tão plena que poderia assustar qualquer um que não fosse nós.

Seria tão bom se fosse além de um sonho...

sábado, 26 de setembro de 2009

Estrelas

Já reparou que a cidade não tem mais estrelas?
Pois é, ta tudo errado!
Aquelas pessoas estressadas, tão focadas no trabalho, tão...
Impregnadas de poluição!

Como é que elas agüentam viver sem aqueles olhos as observando?
Ah, claramente eu não agüentaria...
pois bicho do mato eu sou
gosto do céu limpo
de mergulhar nua nas águas das cachoeiras
aprecio imensamente o mistério que há nas matas.

Existe vista mais bela
Do que uma simples borboleta a pousar,
Com sua inocência,
Num pau qualquer?

Existe vista mais bela
Do que um morro sem favela?

Oquei, tem gosto pra tudo
E talvez lhe atraia
A fumaça que sai de um carro...

Mas se você é um desses,
Que viciou-se em urbanização
Digo-lhe, meu caro, que perdeu a sanidade!

Mas não se preocupe,
Pois nunca é tarde para recuperá-la.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A puta.

Pinto a boca e os olhos
Para esperar em uma esquina qualquer.
Esperar que algum apareça...
E com meu vestido curto e apertado,
Atrair olhares.

Dentro de um carro
Seguro as lágrimas
Para fazer o sujeito se sentir amado;
Para fazer o sujeito gozar

Com seu gozo em meus seios
Repudio a mim mesma
São toques e movimentos e gemidos
Que impedem minha mente de fugir do momento grotesco

Um pesadelo após o outro, tornando-se real
E enquanto a sobrevivência me gera dúvidas
Espero o escapismo definitivo
Encaminhar-me enfim ao sonho banal.

A esperar-te.

esperar-te é algo tão demorado,
por mais que o relógio mostre o contrário, é claro.
são sensações tão diversas
essas que eu sinto,
e em tão poucos minutos.

passa-me raiva
afeto
solidão
compaixão
medo
amor...

meu ser experimenta uma inquietude diferente
uma felicidade amedrontada.
meus pensamentos,
com sua irregularidade e alta diversidade,
esperam o teu abraço confortante resumi-los a um só:
estar ao teu lado.

aguardo nervoso o dia
em que eu tenha coragem
de dizer o quanto eu faria por ti;
ah... eu Mataria e Morreria...

sem exageros líricos ou coisa do tipo.
Morreria sim.
Morreria,
pois talvez em sonho perpétuo
eu tivesse para sempre
teu ser ao meu lado.
e nada poderia me deixar mais feliz.

domingo, 6 de setembro de 2009

Mais uma em minha vida.

Pinte sua boca em meu corpo enquanto minha mente vaga por seus suspiros. Isso tudo é uma curiosa mistura de entrega e timidez. Minha mente percorre o seu corpo e gradativamente ganho sua confiança. Seus seios, que belos seios... por alguns instantes causam-me sensação de plenitude. É triste pensar que no final, não será um amor descoberto... e sim apenas mais uma puta paga no meu ritual banal de solidão.

sábado, 22 de agosto de 2009

Seres Ajudantes

Com minhas mãos entrelaçadas
Peço ajuda a forças maiores que nem acredito existirem
Mas tamanho é meu medo
Que preciso recorrer a tudo

Meu medo é não te conquistar
Acordar sem sentir teu corpo
Dormir e só te ter em sonhos
Dirigir-te a palavra e nem sequer saberes meu nome
Meu medo é morrer sozinha

Por isso peço ajuda aos seres mágicos e nada racionais

Pensando bem,
Quem precisa de racionalidade nesse momento?
Eu quero você!
Então que os deuses
E que as criaturas mágicas venham me ajudar
E que meu medo acabe.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Aquele Homem

Tomando a iniciativa, aquele homem segurou minha nuca com seus dedos ásperos. Puxou-me para perto e fez com que meus lábios tocassem os dele. Carnudos. Meus lábios de moça inexperiente se animaram e logo estavam dando suaves mordidas naquela pele negra de homem. Já não era um simples beijo, pois nossos corpos começavam a se entrelaçar, e minhas pernas começavam a ceder. Minha racionalidade começava a fugir meu ser. Não mais me importava que eu tivesse conhecido aquele sujeito naquela mesma noite. Não mais me importava que nem seu nome eu soubesse. Apenas lembrava-me de como, subitamente, começamos a dançar no meio das pessoas que se tornaram pouco importantes.
Estávamos tão juntos agora! A festa parecia ter esvaziado, pois eu só conseguia enxergar ele. Minhas pernas finalmente cederam totalmente, e não consegui ficar em pé... puxei o sujeito para o quarto do dono da festa, e foi aí que reparei... a festa toda acontecia no primeiro andar da casa, e nós já estávamos no segundo. No entanto, não lembro de nenhuma escada... enfim chegamos ao quarto. Deitei numa cama macia, e o sujeito se pôs em cima de mim. Entre outras tantas mordidas e lambidas e passadas de mão e suspiros ofegantes decidi deixá-lo avançar.
As mãos do sujeito não mais me pareciam ásperas, e sim suaves. Sabiam onde tocar. Suas mãos correram da minha nuca para minha cintura. Apertou-me. Desviou seus lábios de mim. Mordeu minha cintura. Uma surpresa ali me atacou, e um breve prazer acompanhou. Levantei meus braços e tirou minha blusa. Levantou seus braços e tirei sua blusa. Mais outros tantos beijos e apertos até que eu tirasse sua calça jeans e minha saia. Estávamos agora de cueca, calcinha e sutiã...
Eu já estava ficando agoniada! Passara-se já uma hora desde que começamos a dançar no andar de baixo. Esse tempo tinha sido suficiente para eu provar os beijos e as mordidas daquele homem. Queria mais, então não esperei ele retomar suas carícias já conhecidas por meu corpo. Tirei a única peça de roupa que lhe restava, e ele não tão surpreendido fez o mesmo comigo. Estávamos agora desimpedidos de fazermos o que realmente almejávamos durante a noite toda.
Suas carícias agora estavam em outro nível. Meu corpo achava que conhecia aquele homem em poucas horas... foram necessários apenas alguns minutos para ver que estava errada. Aquele homem sugou de mim todos os problemas, e me deixou apenas com a felicidade de uma noite cheia de loucuras.

domingo, 24 de maio de 2009

Formigas, não!

Seres humanos têm a incrível capacidade da emotividade. Ter o poder de contagiar os outros com um sorriso sincero, um abraço apertado é esplêndido. No entanto, nada é perfeito. Quem contagia com os olhos brilhando de alergia contagia também com os olhos brilhando de tristeza. O preocupante é quando a tristeza se torna maior que a felicidade. Até que ponto podemos suportar isso? Melhor: até que ponto podemos viver de bem com isso?

Nada é perfeito, e há uma relação de dependência entre a tristeza e a felicidade. É como se um fosse o yin e o outro fosse o yang já que um equilibra o outro, um completa o outro, um controla a medida do outro. Quando a tristeza se torna maior que a alegria, ou vice-versa, o homem procura um jeito de liberar a energia (positiva ou negativa) acumulada.

Existem vários jeitos de liberar essa energia, seja praticando esportes, fazendo música, escrevendo ou até mesmo utilizando drogas. Esse último não é muito benéfico, pois acelerará o processo do escapismo definitivo. É bom viver um pouco no escapismo sim, pois não somos céticos nem burros o bastante para querermos viver sempre em realidade e nunca em sonho. Sempre há um escapismo benéfico onde liberamos energias. É preciso porém ficar mais atento quando essa energia é oriunda da tristeza em excesso.

É ótimo sermos humanos. Já pensou se fossemos formigas? Trabalhando sempre à espera do inverno, não podendo reclamar de seu cargo de operária sem conquistas nem desejos que espantariam as outras formigas, sempre na mesmice! Ainda bem que temos a possibilidade de sentir, falar, estar alegre ou triste. As formigas não espalham alegria com seu olhar brilhando, que triste...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

The healthy prejudice.

Do you know when there is something in your head that Just tells you did something wrong? Yeah, well that is how I feel in this exact moment. I belief that it’s a human right to enjoy as much as you must from each day we all live. It is on the other hand not very lucid to act conforming any wish may come. What I mean is that this idea is such utopist that we embrace it in our dreams, and we talk like we did act as we wanted, but it is not the true. Due to the society likable prejudice to happiness we cannot make those wishful dreams of ours come true. However, who are the ones that make the society? Aren’t we those? So isn’t it right to affirm that our prejudice against the freedom of all is also what is keeping us to reach our own absolute happiness through the power of our freedom? Because if you stop to think, it is our freedom we are limiting. It is in respect of those limits that we do not act “crazy” conform any wish may come. This prejudice keeps the society alive, owing to the fact that if we do not restrict our freedom, we will be interfering someone else’s freedom.

domingo, 26 de abril de 2009

Conclusão Óbvia

Ando completamente alienada. Caminho ao encontro do meu amor. Quando se está assim, feliz ao extremo, os problemas todos se tornam simplórios, insignificantes, e quase que inexistentes.
Vejo um homem e uma mulher. Eles dormem na rua suja e imunda, no entanto eu só reparo que são um casal e dormem com suas mãos unidas. Esse casal vive em um pesadelo eterno, porém no meio de tanta infelicidade acharam forças para unirem-se, e desse modo transformar pelo menos algumas partes do pesadelo constante em maravilhosos sonhos.
Se eles, que bens materiais não possuem, tem ao menos um ao outro, chego à obvia conclusão de que são os próprios bens materiais que atrapalham e confundem traiçoeiramente a cabeça humana na hora dela escolher um alguém para com quem sair de todos os pesadelos e encontrar sonhos encantadores.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

A epidemia.

Ela se apaixonou e se entregou. Mas ele não correspondeu ao seu amor, e desse modo corrompeu todos os seus valores. Ela dera-lhe sinceridade, mas depois de um tempo viu que não merecia tal prêmio.
Era tanto tempo também que esta gastava com lindos presentes significativos, e era tão pouco o que ele retribuía.
Foi assim, de pouco em pouco, que ele foi mudando aquela pessoa bonita, com princípios, sincera, prestativa, carinhosa, em apenas mais um ser no jogo da sobrevivência egoísta.
Ensinou a ela como não mais se envolver ou se entregar. Como apenas pensar em viver e não mais em salvar.
Desse modo, depois que ele a contagiou, ela passou adiante essa doença humana, louca epidemia.
Ela não mais se lembra de quem era, nem de quem queria ser. Está perdida no meio de uma sociedade doente e aparentemente sem cura.
Como uma pessoa pode corromper valores de outras não é mesmo? É incrível essa capacidade de persuasão do ser humano.

terça-feira, 17 de março de 2009

...

Sinto uma estranha falta de ar e penso: o que há de errado?
Sobe uma quentura em meu corpo e tiro a blusa e o sutiã mas parece incontrolável! Meu peito sente-se apertado, contraído, mesmo que em tal ponto eu já esteja nua.
Tontura começa a me afetar. Sinto aquela fumaça que inalo... ó, tão deliciosa... quero tudo para mim!
De repente flashes começam a passar em minha mente, momentos que eu vivi e que eu sonhei, tão claros agora.
AAAAh! Que vontade de gritar, de acabar com essa dor que penetra meu ser.
Não me sinto bem, acho que vou

sexta-feira, 13 de março de 2009

Desejo de te ter.

Quero seu corpo ao meu lado, me aquecendo sempre que puder. Quero sentir sua perna roçar na minha coxa, e sua mão alisar meus seios. Quero beijar-te os lábios e sentir tuas mordidas na minha nuca. Quero aprender a cada vez que te encontrar, te conquistar de um jeito diferente. Será tudo isso possível? Bom, como só vou saber depois que tentar, não economizarei esforços para manter a inércia bem longe de nossas massas corporais.
O seu corpo... Prendeu meu olhar no primeiro instante. Logo ali já soube que te queria. Infeliz foi saber você não poderia ser meu, pois o coração já tinha dono. Parei porém para pensar, e cheguei à conclusão de que não era exatamente seu coração que eu queria. Estaria muito bem, obrigado, se tivesse apenas a terceira palavra do parágrafo; corpo. O seu. Ensine-me a viver e me conceda a pratica de realizar desejos. A plenitude é tanta ao estarmos juntos que é difícil acreditar ter vivido sem tal carga por tanto tempo. Difícil é querer fingir que não te quero quando quero.
São 3 horas da madrugada. Não consigo dormir. Minha cabeça não me deixa livrar-me da imagem de corpos colados, os nossos, no momento que o desejo foi conquistado, aquecendo um ao outro. Sua respiração eu sinto ao meu pé do ouvido. O vai e vem gera o ranger da cama. A inocência agradece por ter sido perdida no momento em que aqueles braços envolvem meu ser. Suor pingando, excitando cada vez mais. Às vezes, deslocada sinto-me, mas não por muito tempo! Impossível com você ser por muito tempo. Mudança de percepções: o que antes era ruim e evitável, agora se torna desejado.

domingo, 1 de março de 2009

A Floresta

Se um dia eu me perder no meio de uma floresta com galhos de árvores traiçoeiros, prontos pra agarrarem minhas pernas e me sugarem para um mundo frio e escuro, você me salvará? Sei que sim. Talvez não seja você pessoalmente, mas sei que minhas lembranças de nossos momentos juntos me salvarão da escuridão. Sei que quando eu me lembrar daquele sentimento de amor que eu sinto loucamente por você, dentro de meu pequeno peito, a escuridão será ofuscada pela força do amor, e a claridade vencerá, como sempre.
É... como eu queria que minha estória fosse assim. Feito um conto de fadas. No entanto, ela não é. Ficar perdida não quer dizer que será encontrada um dia. Lembrar de um sentimento antigo não quer dizer que ele trará claridade pra salvar sua vida.
É bom lembrar que o amor pode não só salvar a sua vida, como pode também acabar com ela.
Às vezes você está perdida naquela floresta escura exatamente por culpa do safado do amor.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Questions everyone asks.

I sit here, in this chair. And I put that song, the one that makes me remember your face. But only that doesn’t satisfy me. So what more do I need? I need you by my side, not only in my mind. But it hurts to realize that those places are not going to change. Should I cry? That I’m already doing, and for a long time... Or maybe should I get over this? Should I forget I love you and start suddenly loving someone else, just to keep the dream of love alive? It sounds so selfish to think like that, and also doesn’t sound right to forget and erase you completely from my little meaningless life. I know it’s stupid to say, but it felt so right for us to be together. I actually thought we had something promising for the future, as one combined. Guess I was wrong. Sad? Of course! Right? I don't know yet, maybe that's the way it's supposed to be. Only time will give us such knowledge.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Amizade

Qualquer som que eu emita formando ou não uma palavra, qualquer quanto, qualquer tudo, longe de uma amizade é nada. Sonhos e realidades se encontram quando se forma uma palavra. Quando nada se formar em tudo, lembre-se que tudo já foi um nada. A amizade é uma flor que nasce toda desengonçada, mas não há nada que derrube depois que já está formada.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Desdéns

Realçam no marfim da ventarola
As tuas unhas de coral felinas
Garras com que, a sorrir, tu me assassinas,
Bela e feroz... O sândalo se evolua;

O ar cheiroso em redor se desenrola;
Pulsam os seios, arfam as narinas...
Sobre o espaldar de seda o torso inclinas
Numa indolência mórbida, espanhola...

Como eu sou infeliz! Como é sangrenta
Essa mão impiedosa que me arranca
A vida aos poucos, nesta morte lenta!

Essa mão de fidalga, fina e branca;
Essa mão, que me atrai e me afugenta,
Que eu afago, que eu beijo, e que me espanca!

RAIMUNDO CORREIA

domingo, 18 de janeiro de 2009

Mentes Complexas.

As mentes complexas dos seres em constante mutação irritam aqueles que almejam a simplicidade. Em agonia curta, que mais parece perpétua, o corpo de um espera impacientemente que a cabeça do outro ceda, deixando de ser algo mutável e inconstante. O primeiro, apesar de temer, e saber em sua simplória mente, que tal mudança nunca ocorrerá, ainda assim este possui um vale desconhecido, dentro de si, que o dá energia para manter a idealização futura de seu próprio casal.