Olhei meu sorriso verdadeiro no espelho. Era alegre. Vi meus dentes amarelos. Entristeci. O cigarro já mostrava os danos em meu corpo. Podia sentir aquilo me consumindo. Tinha medo de ver os exames. Meus pulmões já não eram mais os mesmos. Sentia isso em coisas pequenas como subir uma escada, com uma breve corrida para alcançar o ônibus. Até no sexo eu já não era mais a mesma, não tinha mais a disposição de antes. E mesmo com isso tudo, minha mente não era capaz de dizer não. O vício me tomava e eu cumpria meu papel sendo vassala de uma vontade que não tinha mais razão para ser. Me via morrer. Aos poucos fui realizando que isso tinha que mudar, tinha consciência disso. Só não sabia como fazê-lo. Era tão difícil... Eu tentava, e tentava, e tentava. Sempre fracassando.
Escutava minha mãe reclamando do meu bafo, e não sentia vergonha de mim. O problema é que eu aceitei viver com essa vergonha. Aceitei viver com o rótulo de fumante. Aceitei, até que não deu mais.
Morri dormindo, sozinha, com 45 anos. Comecei a fumar aos 15. Morri com um maço de cigarro mentolado (que era praxe meu) ao meu lado, como meu único companheiro. Meu amigo. Meu psicólogo. Meu fumo substituiu meus amores e minhas dificuldades. Até minha fé estava concentrada naquele pacotinho com 4.700 substancias tóxicas.
Comecei a fumar porque era mente - fraca. Deixava os outros me guiarem. Deixei eles me guiarem à morte. Deixei... e por mais que estivesse calada fisicamente, eu possuía gritos internos, ensurdecedores.
Ah se eu pudesse reviver tudo aquilo... tudo aquilo...
Meu desejo? Só mais um trago...
...Não, nada mudou.
sábado, 24 de outubro de 2009
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Mais um texto sem título de um poeta qualquer.
Eu não tenho mais mente para decifrar os enigmas escondidos nos [poemas complexos dos grandes autores.
Não tenho nem capacidade para entender minhas próprias escritas.
Mas continuo escrevendo... tem algo que me motiva, não sei o que.
Amor, morte, dúvidas...
Me faz bem escrever.
Me faz mal entender, pois depois que entendo...
Sei que tudo que achava que sabia era uma grande mentira...
Grandes mentiras são os poetas
Eu sou poeta
Sou uma grande mentira.
O engraçado é que,
Mesmo assim você tenta me desvendar.
Professorinha de literatura, vem desvendar seu amante nas [entrelinhas de algo que nem ele sabe o que são.
Desvenda-me
Depois me explica.
Não tenho nem capacidade para entender minhas próprias escritas.
Mas continuo escrevendo... tem algo que me motiva, não sei o que.
Amor, morte, dúvidas...
Me faz bem escrever.
Me faz mal entender, pois depois que entendo...
Sei que tudo que achava que sabia era uma grande mentira...
Grandes mentiras são os poetas
Eu sou poeta
Sou uma grande mentira.
O engraçado é que,
Mesmo assim você tenta me desvendar.
Professorinha de literatura, vem desvendar seu amante nas [entrelinhas de algo que nem ele sabe o que são.
Desvenda-me
Depois me explica.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
O tic-tac
Quando eu era pequenininha assim, bem pequena, eu queria que o tic-tac tictaqueasse com velocidade imensurável. Queria ser menina-grande para então poder ir sozinha, na pracinha. Queria a liberdade de comprar o meu sorvete, com o meu dinheiro, da minha mesada. Então o tic-tac tictaqueou. Virei menina-grande. Os primeiros momentos como menina-grande foram até bem legais. Brinquei a beça! Entrei pro colégio, fiz novos amiguinhos, conheci professoras maravilhosas! Elas me ensinaram até a ler! Foi com elas que aprendi o inicio de tudo... desde as letras de mãos dadas até a existência de amigos que não são tão amigos assim. O colégio me ensinou bastante, mas logo cansei. Queria mais, sabe? Não queria ficar sempre com as mesmas professoras, eu queria coisa nova.
Tinha uma coisa que eu não queria mudar. O nome dele era João. Eu desejava de novo que o tic-tac tictaqueasse para que eu tivesse a coragem de falar pra ele o quanto eu o achava especial. Queria virar menina-mulher... Queria falar com ele, queria abraçá-lo, beijá-lo, tê-lo. Queria matar aula do ginásio pra ficar com ele. Fui agindo como se fosse menina-mulher, mas eu ainda era menina-grande. Acho que virei menina-mulher mesmo, só quando eu decidi sair de casa e fazer o tic-tac tictaquear forçadamente.
Fui morar sozinha e comecei a trabalhar. Comecei a pagar minhas contas, e não ia mais à pracinha. O João? Agora havia vários deles na minha vida, mas nenhum era de verdade. Eu tinha me transformado então em menina-mulher que esquecera a menina de dentro e a mulher de fora.
Hoje sou uma velha que quer desesperadamente que o tempo distictaqueie. Aprendi a viver ontem, mas não há mais tictaques para gastar: pare logo de ler esse texto inútil e vá à pracinha, criança! Já tomou seu sorvete hoje? Pois então... um de nós tem que viver sem se preocupar com o tic-tac impiedoso e extremamente preciso, não?
Tinha uma coisa que eu não queria mudar. O nome dele era João. Eu desejava de novo que o tic-tac tictaqueasse para que eu tivesse a coragem de falar pra ele o quanto eu o achava especial. Queria virar menina-mulher... Queria falar com ele, queria abraçá-lo, beijá-lo, tê-lo. Queria matar aula do ginásio pra ficar com ele. Fui agindo como se fosse menina-mulher, mas eu ainda era menina-grande. Acho que virei menina-mulher mesmo, só quando eu decidi sair de casa e fazer o tic-tac tictaquear forçadamente.
Fui morar sozinha e comecei a trabalhar. Comecei a pagar minhas contas, e não ia mais à pracinha. O João? Agora havia vários deles na minha vida, mas nenhum era de verdade. Eu tinha me transformado então em menina-mulher que esquecera a menina de dentro e a mulher de fora.
Hoje sou uma velha que quer desesperadamente que o tempo distictaqueie. Aprendi a viver ontem, mas não há mais tictaques para gastar: pare logo de ler esse texto inútil e vá à pracinha, criança! Já tomou seu sorvete hoje? Pois então... um de nós tem que viver sem se preocupar com o tic-tac impiedoso e extremamente preciso, não?
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Sonho
Ali estamos. Unidos por um desejo avassalador de um tomar o corpo do outro. Suspiros de medo fazem parte de ambos. Isso, no entanto, não nos impede de agir. Inicialmente há um pouco de receio no ar, é claro.
Suas mãos caminham da minha nuca à minha coxa, não deixando perder nenhum ponto sequer da minha pobre branca pele. Penso comigo mesma: nossa, mas que homem... ganhou confiança tão rápido... e suas mãos, como me fazem desejar mais!
Aquelas mãos iam me apertando e iam fazendo loucuras com meu corpo inocente. (Inocente?). Quando reparei estávamos já deitados numa cama, que agora não me recordo de onde surgiu. Então com seus dentes minha blusa foi arrancada. Com sua mente, minha saia. E do mesmo modo sua calça se foi. Nus.
Enfim nus. E as mãos, e as bocas, e as línguas iam trocando segredos que não possuíam palavra alguma. Você em cima, eu em cima, você por baixo, eu por baixo. Trocando até cansar. Isso demorou um tempo, os corpos pareciam não reclamar do súbito exercício a que eram submetidos.
Era como um sonho ter você ali do meu lado. Você me tinha e eu lhe tinha também. Era uma simultaneidade tão plena que poderia assustar qualquer um que não fosse nós.
Seria tão bom se fosse além de um sonho...
Suas mãos caminham da minha nuca à minha coxa, não deixando perder nenhum ponto sequer da minha pobre branca pele. Penso comigo mesma: nossa, mas que homem... ganhou confiança tão rápido... e suas mãos, como me fazem desejar mais!
Aquelas mãos iam me apertando e iam fazendo loucuras com meu corpo inocente. (Inocente?). Quando reparei estávamos já deitados numa cama, que agora não me recordo de onde surgiu. Então com seus dentes minha blusa foi arrancada. Com sua mente, minha saia. E do mesmo modo sua calça se foi. Nus.
Enfim nus. E as mãos, e as bocas, e as línguas iam trocando segredos que não possuíam palavra alguma. Você em cima, eu em cima, você por baixo, eu por baixo. Trocando até cansar. Isso demorou um tempo, os corpos pareciam não reclamar do súbito exercício a que eram submetidos.
Era como um sonho ter você ali do meu lado. Você me tinha e eu lhe tinha também. Era uma simultaneidade tão plena que poderia assustar qualquer um que não fosse nós.
Seria tão bom se fosse além de um sonho...
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