domingo, 22 de novembro de 2009

Igual?

Era bonita e estava sozinha.
Comia em uma mesa do restaurante, sem companhia de amigo ou família.
Os movimentos de seu delicado braço trazendo a comida do prato à boca eram tão suaves e isolados.
Pude sentir sua solidão no seu respirar.
Um gole ou outro ofuscando a verdade absoluta que estava sentada ao seu lado.

Quando eu tinha certeza de que ela era um espelho da minha imagem, veio um homem e beijou-lhe os lábios.
Nem todos acabarão como eu.

Enfim um pensamento confortante.

Sem Piedade.

Matei
Veio vagarosamente em minha direção. Vi que tinha uma das perninhas machucada, mas mesmo assim não me importei.
Por um breve momento confesso que senti peninha dele, não foi duradoura no entanto.
Pensei no mal que aquele ser poderia causar. Pensei em como a sua existência incomodava a mim.
Olhei para seu curto corpo com nojo e suavemente estendi meu braço para pegar um objeto qualquer. Um objeto assassinante. A primeira coisa que vi, um celular. Essa foi a arma.
Matei.
Coitado, era só um mosquito.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Desalmado.

Todo dia a imagem nítida ali refletida
Se torna opaca, e vazia...
E quem dera já fosse preenchida...
Quem dera já tivesse sentimentos...
Quem dera tivesse alma... E no próximo passo
Um dia terá sua hora...

O fim as vezes não é o começo, o fim as vezes não é o fim...
Fim as vezes nem é o que parece ser.
O começo da nova era... o fim do mundo? Não...
A volta dos verdadeiros mortos.
Aqueles que proferiram palavras inúteis por não saberem nada sobre vida
Daqueles que um dia ousaram se chamar seres humanos...

Me perdoe... mestre, pai, mãe, a todos os que julguei em vão.
O término do meu tempo, é um novo inicio, pra todos vocês.

Quem sabe entenderá o anjo...
Que esse é o meu caminho?


Texto de um amigo meu, Mago Sem Nome.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Divino seria se fosse real.

Sonhos que sonho são desejos impedidos por algum motivo. Sonhei com um poeta em minha rede próxima ao mar. Cada verso que declamava, uma lágrima lírica em meus olhos. Talvez fosse sonho posto que era belo e tão belo só podendo ser fantástico ( e digo fantástico querendo dizer irreal). Pois sim, irreal era o que era, já que jamais teria eu um poeta em meus braços. Isso seria muito Divino para uma mulher como eu – romântica, filósofa, poeta. Achar um igual seria muito Divino.

Então eu sonhei com uma rede.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O soneto das Poderosas

As nuvens são éguas aladas
Que voam pelos céus como Deusas
Empinam-se e empoem-se,
Decidindo o que deve ou não ser visto.

Um dia elas deixaram
Um belo crepúsculo banhá-los,
Homens tão inocentes (?) que eram,
Não merecedores de tamanho privilégio...

Elas tinham tamanha Grandeza
Que não se assustavam nem com aviões
Máquinas impiedosas feitas por eles, os inocentes

Máquinas tais que extinguiam as divinas formas;
Sem piedade, pudor, vergonha ou arrependimento.
Mas as Deusas são as Deusas e logo estarão aladas novamente.