Era cedo e meus olhos ainda não queriam abrir. Sentia frio, apesar de estar enroscado em um cobertor grosso e supostamente quente. Me espreguicei, tirei o cobertor de cima de mim e pus os pés para fora da cama. Meus olhos abriram quando o frio do chão tocou meus pés, e o sono fugiu, ao iniciar-se um novo dia. Levantei, fui lavar meu rosto e dei de cara com outra pessoa no espelho.
Era eu, mas o rosto... o rosto não era. Tirei o pijama e estava indo tomar o banho matinal quando reparei que estava em um corpo feminino, apesar de Eu ser naturalmente apenas um garoto de 15 anos. Bom, logo achei que ainda estivesse em meu sonho prolongado e não liguei muito. Me incomodava estar no corpo da minha professora de sociologia do colégio, uma mulher de uns trinta e poucos anos - bonita e tudo, mas minha professora.
Conto que fiquei bem envergonhado. A primeira coisa que passou na minha mente de garoto-virgem era que ela estaria em meu corpo também (me vendo também, me tocando também!). Enfim desencanei. Tomei banho com aquele corpo envolvente da professora, Afrodite. Gastei um tempo escolhendo um conjunto de sutiã e calcinha para usar com a saia justa que eu tinha escolhido para meu novo corpo. Me vestir parecia ser meu maior problema, até a campainha da porta tocar.
Era eu na porta! Não Eu, eu. Mas eu – o aluno de 15 anos (ou pelo menos o corpo dele). Eu me olhei assustado, e iniciei uma conversa comigo mesmo. Não sabia se dentro de mim estava Afrodite, ou outro aluno, ou algo desconhecido. Olá! Oi, tudo bem professora? Tudo sim querido, e você? Tudo certinho... Escuta professora, eu sei que é sábado e tudo, mas eu tava precisando tirar umas dúvidas muito sérias contigo. Entra Gregório; quer água, suco? Não, estou bem... Quero outra coisa na verdade...
Sim, eu Afrodite – professora de sociologia, 34 anos. Eu tive coragem. Ao acordar para meu banho matinal e deparar com algo não tão comum, reparei na clássica troca hollywoodiana, e decidi aproveitar. É claro que não era nenhum homem, mas já bastava. Sempre tive a curiosidade de saber como era o meu corpo – olhar no espelho não é meu ponto. Coloquei uma roupa no corpinho de 15 anos e fui me visitar. Fui me amar.
Gregório não sabia se fora um sonho dentro de um sonho ou se fora realidade, pois a única pessoa possível para confirmar era Afrodite – e ela tinha a mesma dúvida, e a mesma falta de coragem para perguntar...
